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 Minha maior fraqueza

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AutorMensagem
nayla
Soldado
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Mensagens : 47
Data de inscrição : 25/09/2011

MensagemAssunto: Minha maior fraqueza   18/01/12, 09:08 pm

Título: Minha maior fraqueza
Autora: Nayla
Beta: Acid
Categoria: MS - Presente AS GOT para amber
Classificação: R
Capitulos: one-shot
Completa: SIM
Resumo: Eles não dizem nada, porque senão ambos se veriam obrigados a discutir sobre o quão errado e doentio tudo isso é, ou sobre a iminente ida de Jon para a muralha, ou até mesmo sobre o acidente do irmão mais novo e todos os seus desdobramentos...
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nayla
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Mensagens : 47
Data de inscrição : 25/09/2011

MensagemAssunto: Re: Minha maior fraqueza   18/01/12, 09:08 pm

Eles sempre fizeram tudo juntos, desde que Jon consegue se lembrar. Compartilharam as mesmas roupas, as mesmas armaduras, as mesmas espadas e até o mesmo quarto. E é simplesmente cruel demais, porque não importa o que se passou, não importa o quanto o moreno queira, no final o seu lugar não é ali, com ele. E isso é algo do qual ele é lembrado quase todos os dias pelo desprezo zelado de Lady Catelyn. Seu tio Benjen já discorreu mais de uma vez sobre o frio que se faz na muralha, mas Jon duvida muito que possa existir algo mais gelado do que o olhar que ele recebe da Senhora Stark.

Mas ele sempre encontra uma compensação, um consolo, uma fuga, nos olhos de Robb. E, apesar deles possuírem a mesma tonalidade de azul que os da mãe, eles são diferentes, são muito mais quentes. São tão quentes que Jon chega a suar. O moreno ergue as suas mãos até o rosto do meio irmão, entrelaçando seus dedos nos cachos ruivos, tomando a boca dele na sua. Muitas coisas mudaram desde a primeira vez em que seus lábios se chocaram com força durante uma luta de espadas que saiu do controle, mas eles continuavam tocando-se desajeitados, desesperados, tudo para conseguir passar os sentimentos que eles nunca se atreveriam a dizer.

Eles não dizem nada, porque senão ambos se veriam obrigados a discutir sobre o quão errado e doentio tudo isso é, ou sobre a iminente ida de Jon para a muralha, ou até mesmo sobre o acidente do irmão mais novo e todos os seus desdobramentos... Jon fecha os olhos, porque a única coisa que ele quer se lembrar é dessa exata sensação de ter o ruivo sobre si, arfando contra o seu ouvido, a respiração dele lhe queimando o pescoço, essa sensação louca e estúpida que faz Jon sentir como se ele fosse capaz de realizar qualquer coisa, como se ele finalmente tivesse achado seu lugar.

E ele não saberia dizer quando foi que esse amor deixou de ser fraternal, qual foi o exato momento em que o moreno percebeu que não conseguiria estar perto de Robb sem querer com todas as forças ficar ainda mais perto; quando foi que o desejo se tornou essa necessidade crua e ridícula de tomá-lo nos braços para si. E nos momentos em que Robb sorri para ele, permitindo que Jon sinta sob os seus dedos as covinhas singelas que se formam no rosto dele, Jon não consegue se lembrar de como era antes. E, para ser sincero, o passado não importa tanto porque agora, agora ele pode tomar o rosto de Robb e beijá-lo, mordê-lo e lambê-lo por toda a sua extensão, até o pescoço, até conseguir fazer o irmão rir alto e reclamar de cócegas e...

E ter Robb correspondendo aos seus sentimentos com a mesma intensidade, com o mesmo desespero, é a melhor – e ao mesmo tempo é a pior – coisa que poderia ter acontecido com eles, porque era mais fácil lidar com a raiva (de Theon Greyjoy, de Robb e principalmente de si mesmo) do que com a culpa. E essa maldita culpa às vezes era tão grande que Jon sentia vontade de gritar, mas Robb mal o deixa gemer, abafando-o com as mãos e tudo que o moreno consegue fazer para revidar é lhe morder os dedos, forçando o irmão a encará-lo diretamente. E existe esse momento interminável em que Jon acha que Robb está prestes a dizer alguma coisa, e não há só culpa, mas também medo, e Jon agradece a todos os deuses quando Robb força a sua boca contra a dele, fazendo-o engolir quaisquer que fossem as palavras que ele planejava dizer.

Porque agora que eles estão mais velhos, agora que as palavras lema da família Stark começam a fazer sentido para eles, e Jon sabe que Robb está começando a assimilar o fato de que como herdeiro de Winterfell, ele não pode se deitar com um bastardo todas as noites, não importa o quanto ele queira...

- E eu quero, Snow, eu te quero tanto, Jon, Jon, eu... - As palavras lhe escapam afobadas, carentes, frágeis, e é algo terrivelmente impróprio para um lorde. Cada uma delas atinge Jon como um soco no estômago porque ele sabe que ele é a maior fraqueza de Robb assim como Jon nunca teve dúvidas sobre Robb ser a sua.

Na Muralha, ele conseguiria construir sua reputação, sua honra, sua dignidade e elas valeriam muito mais do que seu sobrenome, e isso é tudo o que ele sempre desejou, livrar-se desse estigma de uma vez por todas. Ele jamais poderia conseguir tal coisa em Winterfell, onde a única reputação que ele possui é a de um bastardo, e não existe honra ou dignidade alguma nos momentos que ele compartilha escondido com o irmão. Mas, mesmo assim, tudo que bastava era um pedido do ruivo, um simples “não vá” e ele não iria.

Mas Robb nunca pede porque ele sabe de tudo tão bem quanto Jon, eles se conhecem bem demais; não importa o quanto ele queira, e ele quer, ele não vai pedir. E Jon sente-se um tolo por amá-lo ainda mais por isso.

Jon desperta devagar à medida que os poucos raios de sol que passam pelas frestas da sua janela lhe irritam os olhos e ele se espreguiça, tentando se livrar da sensação de torpor que assola todos seus músculos, e seus braços atingem um espaço vazio ao seu lado. Jon treme com a súbita realização de que ele está novamente sozinho: Robb acordara mais cedo e já saíra. Jon não pensa duas vezes ao culpar o frio pelo seu tremor e ele respira fundo, sabendo que ele vai ter que se acostumar com esse frio porque ele está indo para a Muralha com seu tio. Hoje.
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